Seja bem-vindo
A proposta é descrever o que penso, sem o compromisso de fazer pensar como eu penso. É também um questionar de algumas situações que me cercam, me alegram, me incomodam, enfim, me descontroem e me constroem a cada dia. Pensar sem medo de fazer um auto-flagelo de idéias que devem ser maltratadas a ponto de serem expurgadas, se preciso for. Pensar e repensar no que creio e no que deixo de crer.
Se eu conseguir pensar sobre o que penso e de alguma forma multiplicar o que penso, seja para que outros pensem parecido, ou para que outros pensem exatamente o contrário do que penso, me fazendo repensar, ficarei satisfeito.
(no começo, eram reflexões sobre as aulas de Teologia no Centro Universitário Bennet)
28.3.11
Site novo
O Conteúdo deste blog está replicado no site www.pensandosobre.webnode.com.br de onde passarei a publicar novas postagens.
Obrigado pelas visitas aqui e aguardo novas visitas em www.pensandosobre.webnode.com.br
19.3.11
A tragédia de ser insensível.
Prefiro entender que o que acontece a eles, pode acontecer com qualquer pessoa. Prefiro entender que tragédias são tragédias e não um meio de Deus punir o homem. Existem tragédias diferentes de terremotos e tsunamis que assolam outros países, menos idolatras do ponto de vista dos neo-evangélicos. O que dizer dos milhares de adolescentes envolvidos com drogas, banditismo, prostituição, trabalho escravo? Não seriam tragédias milhares de mulheres que são sacrificadas por seus parceiros, que sofrem estupros, que são marginalizadas de alguma forma? Não seria também tragédia, o grande número de pessoas que ainda sentem fome e morrem de fome? Não seria tragédia todo o caos social existente no mundo independente de tufões, furacões, terremotos, tsunamis, idolatria?
Prefiro entender os povos sofridos com essas catástrofes, como pessoas que estão mais próximas da realidade de Jesus: pobre, sem casa para dormir, sem alimentos para comer e com um grande número de pessoas apontando para ele e dizendo que ele estava errado na sua forma de pensar, ser e agir.
21.12.10
Sobre ciclos e ondas.
Nossa vida é feita de ciclos.
Como ondas que se quebram na praia,
O movimento das ondas me fala de renovar.
Elas chegam, revolvem a areia, mudam o formato,
e se vão, para logo depois,
Há ciclos que são mais fortes e mais contundentes.
Profundamente arrancam e removem o que não precisa estar lá.
Há ciclos mais calmos, que percebem que
com pouca atuação, fazem grandes mudanças.
As ondas nunca param. As mudanças também não.
Saber lidar com as ondas, quando se está no meio delas
é saber lidar com a vida. Se consigo manter-me de pé,
mesmo com toda a força que a onda tem,
revolvo-me nelas, mas nelas sobrevivo.
No próximo ano, as mudanças continuarão acontecendo
e tal como as ondas que sempre existirão
elas farão transformações e causarão diferenças.
Aproveite as ondas das mudanças e se deixe revolver e transformar,
fazendo com que sua vida em 2011 seja diferente a cada nova onda
e seja transformada a cada novo ciclo.
Feliz Natal!
Feliz mudança de Vida!
Feliz 2011!
Nele, que é o único capaz de mudar, tudo que não precisamos que exista em nós.
5.5.10
Comendo migalhas e recebendo tudo o que se precisa.
Quando paro para pensar no tipo de evangelho pregado numa grande parte das igrejas hoje, fico pensando se esse evangelho entenderia o que se passou com esta mulher. A resposta, evidentemente é: Jamais!
A ele, que Serve por que é Senhor e não por que é mandado servir, toda glória de ser Senhor, mesmo servindo aos que são verdadeiramente servos.
2.1.10
Mensagens
Há uma que diz:
Esqueça o passado.
Transforme-o em experiência.
Ainda há outra que ensina:
Renove a vida e viva-a renovada.
Ouse ser diferente do que você foi,
sobretudo se, ser diferente
significar ser melhor que antes.
São muitas as mensagens!
As 365 opurtunidades de acertar
fircaram no passaodo,
mas as 365 possibilidades de errar
também ficaram.
Há mais 365 oportunidades a sua frente
Decida acertar, mas se errar
aprenda com o erro e busque não mais errar.
Quando o sol se por em 2009
decida ser muito feliz em 2010
Qualquer coisa além disso
são somente mensagens.
Feliz 2010!
16.10.09
O incio e o fim. Quando o racional aprende com o irracional.
Nunca vi nenhum pregador, exceto o prório escritor do livro de Eclesiástes, pregar em cima desse texto. A dimensão que damos ao ser humano é sempre diferente da que damos para os animais. Hoje passei por duas experiências, uma curiosa outra dolorosa, que me fizeram pensar sobre essa relação ser humano racional versus animais irracionais.
Indo para o trabalho, vi que um cão tentava atravessar uma rua muito movimentada. Tentou várias vezes, quase experimentando a morte. Eu, que aguardava para atravessar a mesma rua, imaginava que em pouco tempo aquela cena terminaria na morte do animal. Em um dado momento, surge um outro cão, que emite alguns sons, late e empurra o seu parceiro de existência para uma outra direção. Bastava isso para que eu aprendesse alguma coisa, mas o cão foi além. Direcionando o parceiro, o cão precavido que não se arriscava atravessar a rua, sobe pela passarela existente ali e atravessa em segurança. Fiquei pensando quantas vezes repeti o ato irracional de atravessar entre os carros correndo o risco de finalizar minha vida repentinamente.
As vezes achamos que sabemos mais que os animais, mas cenas como essa nos fazem parar e pensar em quem na realidade é racional, ou usa da racionalidade.
No inicio da noite, passei outra experiência, novamente com um animal. Dessa vez, não era um desconhecido, perdido na rua, mas uma cadela que eu havia pego para criar desde o primeiro mês de vida. Agora, ja no fim da sua existência, doente, sofrendo com os incômodos que o peso da idade traz e sem que eu pudesse fazer muita coisa.
A decisão mais acertada, neste caso foi abreviar o sofrimento do animal, entregando-o aos cuidados de um profissional.
Acompanhei o carro do veterinário até que ele sumisse dos meus olhos, que já estavam completamente tomados pelas lágrimas. As lembranças vieram todas num flash estonteante. Sons, imagens, brincadeiras, sorrisos dos filhos, broncas, passeios, sustos, cores, cheiros, filhotes, preocupações, alegrias...
Era um ser que nos permitiu viver sua vida, sem exigir nada em troca. Estava por perto, mesmo que em alguns momentos insistissemos para que ficasse longe. Nunca reclamava da nossa forma de viver, pensar, agir. Não tinha luxos, não exigia conforto, não tinha vaidades.
Aprendi que quando se ama de verdade, pouco se exige em troca, e por causa disso, muito se tem.
O primeiro animal experimentou o re-inicio da vida. Nasceu de novo por causa de seu amigo.
O segundo, viveu até onde foi possível e nos deixa aquele nó na garganta, daqueles que surgem quando perdemos alguém que nos é muito amado.
A vida tem seu início... A vida tem sempre seu fim...
Saber como viver entre esses dois períodos é o grande desafio que a vida nos apresenta, dia após dia, porque assim como acontece com os filhos dos homens, assim acontece com os animais. Um dia voltaremos para o mesmo lugar: o pó da terra.
Descanse em paz Fofinha, você que já nos deu tantas alegrias.
Vivamos a vida que é sofrida, mas que vale a pena ser vivida.
12.6.09
A festa que não tive e o presente do Rei
Neste ano, por ocasião do meu aniversário, pensei em fazer uma festa. Cheguei a falar com minha filha para que ela arranjasse uma banda no desejo de fazer uma festa com música ao vivo. Por alguns motivos que não são importantes, a sonhada festa não aconteceu.
Normalmente, quando não se consegue festejar, bate uma frustração. Fazer festa, comemorar com amigos, cantar, rir, fazer pedidos, tudo isso é algo que nos causa muito bem. Numa festa de aniversário reunimos as pessoas que são mais próximas. Elas farão parte de um momento da nossa história onde, por algumas horas nos esquecemos de tudo que é negativo e só pensamos em alegria e festejos.
Nos preparamos para a festa. Verificamos todos os detalhes e cuidamos para que nada seja esquecido. Bebidas e comidas são elaboradas, enfeites são pensados, lembranças são criadas. Detalhamos tudo na expectativa de que tudo saia certo e que todos sejam e estejam alegres.
Apesar de todo o trabalho que uma festa dá, não há nada que consuma mais o nosso tempo que a lista de convidados. Incluímos e excluímos várias pessoas, várias vezes. Na minha "quase-festa" comecei, desisti, recomecei a fazer uma lista de convidados e no fim sempre tinha dúvidas de quem deveria ser chamado ou excluído.
Pessoas que estudaram comigo. Pessoas que estudaram ou estudam com meus filhos. Amigos de perto e de longe. Irmãos de sangue e pelo sangue. Colegas de trabalho. Parentes e parentes de parentes. A lista é grande. A festa seria maior ainda.
Tem gente que viria por nunca mais ter me visto e por isso, matariam a saudade. Outros viriam por sua amizade. Outros pra saber o que uma pessoa de 42 anos tem pra comemorar nesse mundo complicado.
Há os que me aceitam como sou e por isso festejariam. Esses comeriam da minha comida, beberiam da minha bebida e festejariam a minha festa.
Há os que adorariam que eu fosse como eles e que também viriam, pois seria mais uma oportunidade de tentar me mudar. Esses últimos, comeriam da minha comida, beberiam da minha bebida, mas provavelmente não festejariam a minha festa.
A festa, como disse, não existiu. Sem festa, não há presentes, mas contraditóriamente, recebi de um rei um grande presente.
O que Salomão me ensinou me fez pensar bastante. Não foi um pensamento retrospectivo, mas pensei acerca do presente e do que pode ser o futuro.
Pensei na nossa total falta de preocupação com o evento denominado MORTE. Para nossos enterros, não há planejamento. Não há bebida, nem comida. Não há lista de convidados e não enviamos convites. Mas é sem dúvida nesse evento que realmente percebemos a realidade da nossa vida: Ela tem um fim.
No fim da nossa vida, mesmo sem que haja convite, estarão diante de nosso corpo sem vida, vários tipos de pessoas. Provavelmente, nem todos serão amigos, parentes, amados.
Os que amam, sentirão a perda e sequer terão vontade de comer ou beber. Não haverá festa, não haverá canto.
Aos que me amam, entendam que a minha percepção deste momento, absorvida daquilo que o Rei Salomão falou, não chega ao coração com tristeza. Talvez chegue com preocupação pelos que ficarão, pelos que serão açoitados pela dor da saudade. Sobretudo, essa percepção chega com a certeza de que ao chegar a nossa hora, temos que estar prontos para econtrarmos com o Pai.
O ensino do Rei Salomão é um tanto duro de se aprender. Ele provavelmente teve que observar mortes após mortes até chegar nesta conclusão.
Deixo um convite. Não é para a minha próxima festa. Também não é para o meu derradeiro evento. Convido a aprender com o Rei e como o Rei. Convido a tirar suas próprias conclusões sobre a festa que a vida é.
Em Deus, que nos deu o Filho e que nos fez no filho, vencedores sobre a morte.
Ronildo Brites
21.11.08
Convite para viajar do nada para lugar nenhum.
A vida de Abraão é surpreendente. Ele foi chamado para dar um tiro no escuro, com uma arma que sequer sabia usar. Não tinha a menor garantia de que seu tiro acertaria o alvo.
"Sai da tua terra... para a terra que te mostrarei". Era o convite para viajar do nada para lugar nenhum. O que impressiona nesta história toda é que Abrão (antes de ser Abraão), não era um homem qualquer. Era rico e influente. Tinha vários escravos a sua disposição. Ele poderia ter dito pra Deus "mandarei meu escravo pra ver a terra, depois eu vou".
Abrão sequer conhecia quem era aquele Deus. Em Ur dos Caldeus ele tinha vários deuses conhecidos, mas ao contrário de todas as expectativas humanas ele simplesmente ouve e obedece. Paga o preço pela obediência. Vê seu pai morrendo no caminho e o enterra numa terra que não era dele. Para aquela cultura isso era terrível. A cada passo de Abraão, Deus o tirava do nada para o conhecimento da sua glória. E Abraão ia sempre e sempre além do que conhecia, além do que via, além do que podia e sentia.
Um dia, ele perde a perspectiva da vitória e questiona com Deus. Como pode Deus, um homem já velho com uma mulher que não tem mais condições de engravidar, gerar filhos?
Hoje a ciência faz com que mulheres que tem dificuldades de ter filhos, tenham filhos. Mas com Abraão era diferente. Pois para Sara, diz a bíblia, não havia mais o "incômodo" das mulheres”.
Deus promete fazer tudo do nada. Promete fazer nação de ninguém. Promete abençoar toda a terra, sem sequer haver esperança para que essa benção aconteça.
Deus percebe que a visão de Abrão não estava indo além de seu próprio mundo, de suas próprias dificuldades.
Deus faz um convite: "sai da tua tenda, olha para o céu, conte as estrelas, se é que as pode contar". Dentro da tenda, não há visão do céu. Dentro da tenda, não há luz das estrelas. Dentro da tenda, não se pode ver sequer a estrela da manhã.
Abraão, o que não podia, agora pode ver além e percebe que, ou Deus é muito louco ou Deus o ama muito. Mas Deus quer um pouco mais. Depois de dar-lhe o filho da promessa ele exige de volta o que deu. E Ele pode, pois Ele É o que É.
A reação de Abraão é impressionante outra vez. Ele poderia ter dito para levar Ismael. Resolveriam-se dois problemas. Oferecia-se carne para o holocausto e acabaria com um erro do passado.
Mas, ele sai de madrugada. Você já parou para pensar que só levantamos de madrugada quando há algo muito importante ou de extrema urgência? Ninguém decide acordar de madrugada, só por acordar. Para Abraão, perder o seu único filho, a quem ele amava, para Deus, era algo muito importante.
Ele levanta, se prepara, prepara Isaque, chama os servos, vai para o lugar do holocausto. Pertinho, ele pede aos servos para esperarem e diz "fiquem aqui, e nós dois vamos lá oferecer holocausto ao senhor" depois de oferecer, voltaremos.
Ele estava indo oferecer seu filho, matar seu filho, mas ele diz com toda certeza VOLTAREMOS.
Certeza é a palavra de que quando tudo parece que vai mal aquele que é o que é nos surpreende preparando o holocausto. Isaque percebe o óbvio. Havia lenha, altar, fogo, mas não havia carne para o holocausto.
Holocausto sem carne, não serve pra nada. Isaque sabia disso. Já devia ter visto seu pai fazendo isso outras vezes. Holocausto exige carne. Carne para ser mortificada, queimada, destruída. Abrão poderia ter dito: a carne a ser sacrificada é a sua, mas ele diz "Deus proverá".
O que Deus me diz, basicamente é isso: altar sem carne, não serve pra nada. Às vezes nós não queremos ser a carne do altar, mas nós somos carne que precisa ser mortificada e então quando nos despojarmos de tudo, entregarmos nosso Isaque nas mãos de Deus Ele faz surgir do nada, no meio do nada, carne para o Holocausto e aí a adoração é completa.
Aquele Deus que fez Abraão viajar do nada para lugar nenhum, que fez Abraão ver além da sua tenda, que fez Abraão ser capaz de dar o que ele mais amava e que fez surgir do nada a provisão do holocausto, é o mesmo Deus que nos faz viajar do nada que vivemos agora, para um lugar que não sabemos. É o mesmo Deus que expande a nossa visão para além da nossa incredulidade e nos faz ver que a benção é maior quando cremos que Deus a promete e dá.
8.3.08
Tudo está ao contrário
O que se passa no momento atual do evangelicalismo brasileiro é algo tão absurdo que a leitura que faço desse momento é algo parecido com o texto abaixo. Em dado momento sei que você não terá a menor paciência para ler o texto, assim como eu já estou ficando impaciente diante de tanta aberração supostamente evangélica. Mas tenha paciência e leia pelo menos a minha conclusão.
10. Estabelecido está já mentes das véu o, altura esta a, porque até, templo do véu o de volta colocar não que por, aliança antiga da elementos introduzidos serão já que aproveitando e, Deus à chegar pra você de depende povo o que de idéia a reforçando, finalizar para.
9. Graça de ser pode não assim importante tão coisa uma, espiritual cobertura essa por cobrar e oprimir de esqueça se não e espiritual cobertura sua a sem resistirão não eles que povo ao Diga. Deles sacerdote sumo como imponha-se. Deus e eles entre ligação a é você que povo ao convença você que primordial é.
8. Canção uma cantar e tocar pra frente na lá vai que grupo aquele somente conhecido seja levita por que mesmo, existe ainda, aliança antiga na como tal, levita do serviço o que de povo o convencer de esqueça se não.
7. Coisas dessas gosta povo o, assim seja não teologicamente que mesmo. Deus de povo o para atuais realidades são promessas essas que garanta e Israel a feitas prosperidade e propriedade, posse de promessas das povo ao fale.
6. Estudo e pregação de cds e livros seus vender e (?Lembra, sacrifício) oferta mais recolher para momento ótimo um e povo do social convívio manter para importantes são elas. Aliança antiga da festas as todas cumprir de necessidade a povo do mente na cultive.
5. Povo do bens os com principalmente e povo próprio o com feito é ele e existe sacrifício o que enfatizar de deixe não mas. Culto do hora na animais de matança uma bem muito ficaria não pois, sacrifício o para altar um colocar precisa não.
4. Menorah do esqueça se não e mãos das lavagem a para água com bacia uma também coloque. Proposição da pães os com mesa a também ornamentar de deixe não.
3. Coisas essas adora povo o mas, recomenda bíblia a que do diferente é. Abençoado ser para arca na tocar que tem povo todo e volta em dançam “Mírians” algumas enquanto, arca a carregando igreja pela entrar para homens alguns coloque. Pompa com isso faça mas. Aliança da arca uma igreja na introduzir para aproveite.
2. Perfeito judeu o ou Deus de Israel o é você, contas afinal, igreja sua na ou, casa sua na Israel de bandeira uma coloque, país outro em more você que mesmo.
1. Shofar do som ao resiste não ele, ovelhas de criador era que povo um chamou Deus como. Shofar o toque, Deus de presença a chamar quiser você quando.
Conclusão
Assim como incomoda ler um texto ao contrário, confuso, assim me sinto ao fazer a leitura do momento atual dos evangélicos. É, em sua essência, o que a bíblia chama de “outro evangelho” e que deve ser anátema. É, sobretudo, uma grande confusão sem sentido, onde o que não deveria existir existe como força de algo que é bom sem ser.
Minha esperança é que está sendo formado um povo que entenderá todas as coisas, não da forma como nós entendemos, mas com a mente e o conhecimento do Eterno.
OBS: Se você veio direto para a conclusão, volte e leia o texto de baixo para cima.
24.6.07
Política da ignorância.
Todo ponto de vista é visto a partir de um ponto - Desconheço o autor da frase.
Vou fundar um partido. Já tenho até a sigla: PDCSNPV – Partido das Decisões Certas Segundo o Nosso Ponto de Vista.
Como não dá pra fundar um partido sozinho, já chamei alguns amigos meus para participar desse projeto.
Tenho um amigo que é Testemunha de Jeová. Ele já está pensando em chegar no congresso e propor a Lei da não recepção e sangue humano. Afinal de contas, a Bíblia proíbe terminantemente que uma pessoa se utilizedo sangue extra-corpóreo e isso deve ser seguido mesmo em casos de transfusão de sangue. Nesse caso, seria mais sensato deixar que vida siga o seu curso natural, do que receber o sangue de outra pessoa. Talvez as pessoas não queiram aprender por elas mesmas, então está decidido: será uma lei e quem a descumprir poderá ser preso sem direito a fiança
Um outro amigo professa a religião Judaica. Ele também já tem uma plataforma. Serão criadas leis onde ninguém poderá fazer nada aos sábados. É o dia do descanso. O Shabat. Além disso, será proíbido o consumo de carne de porco. Mais que isso! O porco será banido do Brasil. Esse meu amigo judeu só terá um probleminha com aquele outro que é TJ pois ele gosta muito de carne de porco. Mas vamos dar um jeito.
Será criada uma lei também onde ninguém poderá morer de doença ou de desastre aéreo. Alias todo mundo terá que morrer de velhice e sem doença. É que eu tenho um amigo que é da Igreja da Graça, e lá essas coisas são inadmissíveis.
Outra lei que será criada, vai atingir diretamente os estudantes. É que todos deverão, a partir da criação dessa lei, falar em línguas estranhas. Um amigo meu, que é da Assembléia de Deus vai propor o ensino de línguas estranhas em todas as escola de primeiro e segundo graus.
Tenho mais alguns amigos que me ajudarão nesse grandioso projeto de fazer com que todas as pessoas pensem como nós pensamos, e, se elas discordarem e falarem algo contrário, com certeza a cadeia as espera.
Você acha isso um absurdo?
Foi a mesma coisa que eu pensei, quando soube que se eu falar contra o homosexualismo eu posso ser preso.
Se eu posso ser preso por ser contra a ídeia da vida conjugal entre pessoas do mesmo sexo, por que não posso criar uma lei que prenda todos que são contra as minhas idéias e as idéias de meus amigos?
Posso até aceitar a idéia de que um Testemunha de Jeová não aceite sangue de outra pessoa, mas não posso aceitar que um Testemunha de Jeová imponha isso para todas as pessoas através de uma lei humana.
Aceito com facilidade que um Judeu não coma carne de porco e que guarde o sábado, mas não posso aceitar que essa sua forma de crer seja uma lei punitiva para todos.
Não há problema algum para mim entender que os “igreja-da-gracianos” creiam que quem é crente não morre de doença ou de desastre, mas daí a aceitar que seja criada uma lei para que todos pensem iguais a eles, é um abismo muito grande.
E o que dizer dos Assembléianos? Aceito tranquilamente seus posicionamentos teológicos pneumocêntricos, até porque já convivi durante 15 anos com eles, mas o Inglês e o Espanhol fazem muito mais efeito nas escolas que o “lingua-estranhês”.
Não há problema para mim conviver com a postura de milhares de homens e mulheres se enganam achando que é normal amar e viver com pessoas do mesmo sexo, até porque esta postura não surgiu nos tempos modernos, mas ser obrigado a aceitar como normal, a custas de ter minha liberdade cerceada, é algo no mínimo tão absurdo quanto os projetos de lei dos meus amigos de partido.
Continuo concordando com a minha filha.
Em tempo: religiões e doutrinas citadas neste artigo não são o alvo da minha indignação. Cada um tem o direito de escolher e professar a sua fé.
2.2.07
Crendo contra a esperança
“Ronildo como está o tempo aí? Ronildo como está o tempo aí, é urgente?! Aqui está trovejando. Aqui está armando o maior temporal!” – Aninha da IBA.
Hoje vou falar um pouco sobre uma experiência simples, mas que tenho certeza, alegrou o coração de muita gente.
Quando vemos Jesus tranquilamente acalmando aquela tempestade, podemos perceber que o que menos lhe preocupava era a própria tempestade. Ele simplesmente dormia. Quantos de nós, por um problema menor que uma grande tempestade, perde a noite de sono e atravessa madrugadas no desespero de quem não tem Jesus dormindo no mesmo barco?
Não tenho dúvidas de que Jesus nem precisava acalmar a tempestade. Creio que ele tinha poder para passar com aquele barquinho no meio de um mar mais tempestuoso que o mar da Galiléia. Entretanto, Ele conhece nossos corações e sabe que, como seres humanos que somos, muito menos que uma demonstração pública de Seu poder, o que nós precisamos é que a tempestade se acalme.
Na sexta-feira, 26/01/2007 estava programado um lual com os adolescentes Batistas cariocas. Depois de uma semana de sol maravilhoso, chegamos na sexta feira com algumas nuvens pela manhã e previsões nada agradáveis de chuva no fim da tarde e a noite. Era tudo que não queríamos. Os adolescentes e seus líderes já viviam a expectativa desse evento, desde o finalzinho de 2006 e com certeza muitos já tinham planos traçados para aquela noite.
Confesso que passei o dia olhando pela janela da empresa onde trabalho com receio de que numa dessas olhadas eu visse chuva caindo.
Bem no fim do dia, lá pelas 17h00min, recebo um recado via MSN desesperado. Era a Aninha (a melhor chefe de multimídia do Brasil) perguntando num desespero tão grande que num exercício de imaginação, quase dava pra ouvir seu coração batendo. Ela queria saber como estava o tempo, pois de onde ela estava a visão era de uma tempestade que se aproximava. Olhei mais uma vez pela janela, vi algumas nuvens, mas vi o sol também e tentei tranqüiliza - lá. Digo tentei, pois era perceptível a sua intranqüilidade.
Fui pela orla até o local programado para o lual e tudo estava bem, com um sol maravilhoso e algumas nuvens bem esparsas.
Liguei para casa e recebi da Lya (a melhor mulher do universo) o relato não muito convincente de que estava chovendo um pouquinho, mas que ela achava que ia parar logo. Parecia-me que ela queria me dar algum alento diante da possibilidade de um lual frustrado pela chuva que se aproximava.
Quando estava próximo a minha casa, percebi que algo poderia dar errado. Chovia muito e aquele sol já não era mais visível.
Nada foi cancelado e partimos para o lual, não antes sem tomar conhecimento pela Helen (a melhor filha do universo) de que se estava chovendo torrencialmente em casa as 21h00min, provavelmente a chuva nos acompanharia até o lual.
Quando estávamos distante de casa uns
A história prossegue, e quando chegamos ao local, encontramos alguns líderes da ABC, organizando o lual e nenhum sinal de chuva.
Se a história terminasse aqui, era só festejar, mas o Pai quis que fosse diferente. Por volta das 22h40min fomos buscar o jovem responsável por compartilhar conosco o que Deus colocara no seu coração. Pra nossa nada agradável surpresa, no caminho para a igreja de onde viria o pregador, começou a chover e aí, minha esperança, que já havia morrido e ressuscitado por duas vezes, acabava de morrer e ser enterrada definitivamente. Dentro de mim eu pensava: “se numa distância de pouco mais que 5 minutos chove desse jeito, daqui a pouco lá estará chovendo também.”
Somos assim mesmo. Ainda que creiamos que Jesus pode acalmar tempestades, não suportamos vê-lo dormindo. Mas contra todas as probabilidades, passamos uma madrugada toda sem que sequer serenasse. Havia nuvens no céu, mas todas elas sobre o controle da mão do Pai.
No finalzinho do lual, pude lembrar-me do que havia falado com a Andréia (a melhor amizade adquirida em 2006, junto com o Guto). Diante das dúvidas, eu dissera: “Tempos, ventos e estações e principalmente filhos estão nas mãos do Pai. Ele sabe com certeza o que desejamos e o que é melhor pra nós”.
Nesse lual, eu aprendi como é crer contra a esperança e foi muito bom saber que nossa esperança está em Deus.
11.11.06
Quero ser como Laodicéia.
Em algumas situações, nós que somos crentes em Jesus Cristo, temos o defeito de criticar as pessoas que estão fracas na fé, que se sentem frias e apáticas. Chegamos ao cúmulo de determinar, em alguns casos que não há mais chance para elas. Criamos um padrão de santidade, de conduta e o classificamos como sendo O padrão. Nessa busca por um padrão de vida que na maioria das vezes satisfaz mais a criatura que o criador, não são poucas as vezes em que atropelamos com nossos conceitos e pré conceitos pessoas que precisam de nossas mãos estendidas.
Quero pensar um pouco sobre as cartas registradas no Apocalipse de João, mas especificamente na carta escrita à igreja em Laodicéia.
Quando aprendemos o significado histórico-profético dessas cartas, fazemos logo nossas escolhas. Queremos ser Esmirna, ou Filadélfia. Sobre essas duas igrejas não coube o peso de uma condenação do Mestre. Dentre todas, ninguém quer ser Laodicéia e só lembramos dela invariavelmente quando temos que classificar uma igreja que já não caminha mais como deveria ou um irmão que falha.
Há, entretanto algumas coisas que ignoramos em Laodicéia e que acho interessante pensar aqui.
Mesmo que ela não tenha elogios e tenha recebido condenações do Mestre, percebo nitidamente o cuidado de quem tem tudo sob a sua visão e controle. Percebo que o Mestre tem um cuidado com esta igreja ainda que incisivamente Ele se sente a ponto de vomitá-la de sua boca.
Jesus usa o conceito de água morna, pois sabia que isso seria facilmente entendido pelos leitores da carta. A cidade não possuía boas fontes de água potável e trazia de duas cidades vizinhas as suas águas. O grande problema é que numa cidade havia água fria, em outra havia água quente. Do resultado dessas duas qualidades de água, e mais a associação de dutos antigos surgia a água que Laodicéia bebia: Morna.
Isso me leva a pensar que quando nós criamos um padrão de conduta e santidade e decretamos que quem não se encontra nesse padrão não tem mais chance, acabamos por nos situar exatamente na posição de Laodicéia. Falamos que amamos (quente), entretanto julgamos (frio). Falamos que somos servos prontos a servir (quente), mas agimos somente com a língua (frio). Essa atitude, ao contrário de nos fazer Esmirna ou Filadélfia, nos faz Laodicéia.
Um outro aspecto abordado pelo Mestre refere-se à falsa sensação de poder de Laodicéia. Sentiam-se ricos e poderosos. Possuíam muitas minas de ouro. Produziam um remédio muito eficaz para doenças oculares e auditivas, mas na perspectiva Divina eram infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus e o pior disso tudo é que eles não sabiam disso.
O Mestre, que no quadro anterior, somente sente vontade de vomitar, neste já apresenta algumas soluções. E são exatamente essas soluções apresentadas pelo mestre que me levantam algumas questões? Se a situação era a tão ruim, por que o interesse em apresentar soluções? Se já estava dando nojo por suas atitudes, por que dispensar algum tipo de cuidado? A resposta está no fato de que a repreensão estava destinada aquela de quem se tinha amor. Nosso senso de justiça, nosso padrão de conduta diria: “não tem mais alternativas, não tem mais retorno”, o Mestre diz: “eu repreendo por amor, arrependa-se”.
Em um terceiro momento, o Mestre identifica-se como alguém que não está no meio da igreja. Ele se declara impedido de entrar em sua própria igreja. “... estou a porta e bato...”. Quem não conhece intimamente o Mestre, diria que Ele é fraco, pois sendo Deus, não consegue entrar em Laodicéia. Longe de ser fraco Ele demonstra cuidado e carinho. Não invade, bate a porta. Aguarda que alguém abra a porta e comece a ceia.
Mesmo que não tenha recebido nenhum elogio e que tenha sido duramente repreendida, Laodicéia recebe uma promessa totalmente diferente das proferidas as outras igrejas. A Laodicéia é dito: se você vencer, vou fazer com você o que Deus fez comigo. Se você vencer, assim como eu venci, eu te colocarei assentado no meu trono, assim como eu venci e fui colocado no trono de Deus.
O Mestre nos convida a sermos fiéis e é exatamente isso que Ele espera de nós. Mas Ele mesmo sabe, por ser um homem experimentado em dores, que teremos nossas falhas, nossos deslizes e que somos carentes de sua repreensão por sermos carentes de seu amor. Ele sabe que nossas riquezas, nosso poder são efêmeros. Ele sabe também, que em determinadas situações nem percebemos o quanto somos Laodicéia, mesmo que pensemos ser Esmirna ou Filadélfia. No convite do mestre de comprar ouro de melhor qualidade - eterno, vestiduras brancas - celestiais e colírio - visão de Deus, está inserido o desejo de que nossa porta seja aberta. E quando Ele entrar, a festa começará e nunca mais terá fim.
Já me decidi. Quero ser como Laodicéia. Não há como negar minhas imperfeições. Não há como negar meus erros. Não há como negar diante de quem sabe todas as coisas as minhas carências. Mas quero ser a Laodicéia que reconhece, muda de valores, enxerga melhor e abre a porta. Quero, no fim de tudo saber que abrindo a porta ao Mestre numa atitude de arrependimento, o trono do Mestre será o meu trono também.
13.8.06
Trilhando o caminho contrário.
Em cima desse conceito foram construídos pensamentos teológicos, religiosos, discussões, as mais acaloradas e tantas outras coisas que não cabe aqui nesse texto. Muitas lendas também foram criadas para contar a história de lúcifer, satanás, diabo, demo e tantos outros nomes que povoam o folclore e as igrejas.
A origem de satanás é o que menos importa para esse momento, nesse texto. Quero me ater ao seu erro que motivou sua queda, porém, seguindo o racicíonio que virou senso comum, poderíamos definir que essa personagem opositora das coisas de Deus, tinha uma posição abaixo do criador, porém elevada e que por falta de humildade, quis ocupar posições que não eram dele e por sua falta de humildade e seu orgulho foi precipitado no abismo carregando consigo uma parte dos anjos.
A pergunta é: O que a história da queda de satanás tem a ver com trilhar o caminho contrário?
Independente da forma como lhe apresentaram essa personagem opositora de Deus, com certeza a história de que ele era um anjo da mais alta patente e que perdeu tudo por conta do seu orgulho é a que mais se comenta e publica. Por que ser somente um anjo de alta patente quando se pode ser Deus? E num retorno aos princípios, por que ser homem, quando se pode ouvir o convite da serpente e ser um deus?
Quando lemos o Gênesis e encontramos o diálogo da serpente com o ser humano, representado por Eva, percebemos que o convite era esse: coma e seja deus também. A partir desse convite, a humanidade tenta o tempo todo ocupar posições de poder e infelizmente essa sede de poder invade de forma desastrosa as igrejas dos nossos dias.
Lembro-me dos meus tempos de adolescentes (23 anos não é muito tempo assim) em que eu não conhecia outro cargo "máximo" nas igrejas evangélicas a não ser o de pastor. Coloco o máximo entre aspas, pois naquela época uma maioria esmagadora não achava o máximo ser pastor. Hoje, basta dar uma passeada pelas igrejas evangélicas e ver que ser pastor está fora de moda. Por que ser pastor quando se pode ser bispo, apóstolo, bispo primaz, arcanjo? O próximo passo nos levará a seguinte pergunta: Por que ser arcanjo (se esse for o nome da moda) se posso ser deus? (com letra minúscula mesmo).
Sei que ainda há, e Deus seja louvado por isso, pastores que dignificam tanto o cargo que exercem quanto o exercício desse cargo. Pastores que conhecem as suas ovelhas, que dão a vida por elas. Que por amor de uma somente, muitas vezes deixa o descanso do aprisco e vai buscar a que se perdeu e a recolhe, cura, trata e ama tal qual o exemplo de bom pastor que temos. Sem desmerecer os outros, quero destacar os que estão me pastoreando atualmente. Sei que eles não precisam nem que eu cite seus nomes, pois eles são meus exemplos, não simplesmente de pastores, mas principalmente de servos.
Todavia, me causa repulsa saber que uma grande parte dos "pastores" (já sabem o porquê das aspas, não?) se julgam superiores a todos e assumem títulos que refletem o seu desejo obsessivo e megalomaníaco de trilhar um caminho contrário. Eram homens comuns, tornaram-se "pastores" e acharam pouco. De pastores, passaram a “bispos" e ainda acharam pouco. De "bispos" passaram a apóstolos e ainda assim acharam pouco. Segue-se a megalomania e surge o bispo primaz e até onde se pode ouvir, o arcanjo. Caminham dessa forma para estarem sob o mesmo status de alguém que é opositor a Deus.
Como não posso prever o futuro (embora esse esteja claro na palavra de Deus) acredito que o próximo passo é querer ser Deus, trilhando assim o caminho contrário daquele que um dia pecou por causa da sua falta de humildade.
Nesse momento, toda minha angústia, dor, choro, nojo, repulsa por essa classe de homens que querem ser como Deus se tornará em júbilo de alegria e glorificação a Deus. Quando eles estiverem frente a frente com Deus, batendo em seus peitos estufados e orgulhosos, exigindo ser igual a Deus, o Pai os derrubará de novo e mostrará que acima Dele nunca houve e nunca haverá ninguém.
A Deus, que quando "olha pra cima" não vê ninguém acima Dele e quando "olha pra baixo" só vê seres que dependem Dele, seja dada toda a glória.
28.1.06
Crentes Turbinados – Em busca do silicone espiritual.
Cia de Joel, Cia de João Batista, Geração Benjamim, Adoradores Extravagantes, levitas, Gaditas, os que têm a unção do riso, do leão, da águia, do homem, unção de nobreza, de Salomão, isso pra não falar do ano de Isaque, de Gideão, e outros tantos. Enfim, há uma infinidade de nomes e termos, muitas vezes sem significado prático algum.
Mas o que tem isso a ver com o “crentes turbinados” do título? Explico.
Semelhantemente ao que a mídia impõe hoje em dia como padrão de mulher fisicamente perfeita, ultimamente tem surgido no meio evangélico um “padrão” de crente perfeito. Não corram pra suas bíblias agora para conferir esse “padrão”, pois ele não está lá. Este padrão surgiu ao longo das últimas décadas, da mente de pessoas doentes e megalomaníacas e que nos últimos quatro ou cinco anos tem plantado raízes no meio evangélico.
Há uma discriminação preconceituosa pairando sobre aqueles que se negam a participar desse evangelho falso, hipócrita e egoísta.
Você não foi ao encontro? Não tem a unção do Riso? Não tem a unção de Gadita, ou a unção de nobreza? Não participa do ano de Isaque? Lamento muito, mas você não é um crente turbinado. Não está na moda. Não é um crente seguro. Tal como a mulher da televisão, que se sente segura por ter colocado uma enorme prótese de silicone, se você não tem esse silicone espiritual, você não é nada. Fique na moda! Encha-se de próteses espirituais. Mas lembre-se sempre: prótese é falsa e é pra quem nunca teve o verdadeiro, ou pra quem já teve e perdeu.
Esses megalomaníacos simplesmente não aceitam viver um evangelho simples onde nem os loucos erram o caminho, mas preferem dar uma complicadinha nas coisas, no intuito mal disfarçado de manter o povo na cegueira do modelo por eles estabelecido.
“... A unção do Gadita é a unção para a conquista e restauração de territórios...” diria um determinado pastor ensinando algo que fere frontalmente as Sagradas Escrituras. Não precisamos de nenhuma unção que nos garanta qualquer tipo de posse, conquista ou restauração, pois quando aceitamos o sacrifício de Jesus, e vivemos nossa vida em função da propagação de seu reino já temos garantias de receber recompensa. A diferença é que pra receber essa recompensa, não temos que nos apropriar de nada; nem territórios, nem títulos, nem unções, e sim perder, abdicar por vontade própria. “Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já no presente, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo por vir a vida eterna”.
A “Cia de João batista” supostamente tem a intenção de resgatar o ministério profético e o nazireado da antiga aliança. Faz-me pensar que o brado de Jesus na cruz “...está consumado” já não ecoa na igreja moderna como os brados restitui o que é meu, eu decreto, eu tomo posse. Esqueceram-se de que “havendo Deus outrora falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos nossos pais pelos profetas, hoje nos fala em Jesus, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
Segundo o que se pensa na "Geração de Benjamin", “Você precisa saber quem você é, para entender o que deve fazer com sua vida”. Estou equivocado ou Paulo pensa um pouco diferente quando diz: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!”(?) Creio que Paulo é quem está certo. Dele, por Ele e para Ele e não EU saber quem EU sou para EU saber o que EU devo fazer com a MINHA vida. Totalmente contrário ao conceito bíblico de “...vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim”.
Não vou me alongar (ou perder meu tempo) explicando todas as visões, unções, anos e todas a sorte de besteirol pseudo-evangélico. Basta saber que para essas tais pessoas ter um desses títulos ou uma dessas “unções”, participar de um desses anos de “fulano” parece ser mais importante que ser aquilo que Jesus nos ensinou tão bem: SERVO.
Essas unções e títulos me fazem ver que ainda há uma sede muito grande de satisfazer algo que se tentou satisfazer ainda no Édem: o próprio ego humano.
Eu, particularmente, prefiro ser conhecido simplesmente como “OS DO CAMINHO”.
À Deus seja a glória.
15.12.05
Silêncio
Nessa época do ano, que antecede as comemorações do natal, há uma grande agitação em todas as pessoas. As lojas, shoppings, mercados, o comércio em geral parecem que vão explodir, tal e qual uma grande panela fervilhando sem válvula de escape.
Nas lojas, ouvem-se sons de harpas tocando “Jingles Bell” interminavelmente a ponto de deixar qualquer um irritado. Ouve-se o som da agitação, da oportunidade, da solidariedade, das campanhas publicitárias e de tantos outros que acabamos por perder a real noção do que vamos comemorar.
Sei que, historicamente, nada se pode provar em relação ao nascimento do Cristo, nesta época do ano, mas quero aproveitar exatamente essa época em que se “comemora” sem se comemorar nada, para caminhar na direção oposta. O que precisamos mesmo é fazer como Jesus fez diante de um momento tão decisivo de sua vida: “guardar silêncio”. Estamos preocupados demais em querer fazer nossa voz ser percebida, nosso direito ser preservado, nossa festa ser jubilosa que nos esquecemos de fazer silêncio e deixar simplesmente que o Eterno fale em nós, por nós e para nós, mesmo que para isso Ele tenha que simplesmente ficar em silêncio.
Quero me recordar de dois momentos cruciais na história da humanidade:
O primeiro, quando em um lugar simples, sem nenhuma pompa, nascia um menininho de aparência comum a tantos outros meninos que nasceram no mesmo dia. Acompanhado por sua corte, formada por alguns animais ele não foi recebido com brilho, fogos, festas, comidas, bebidas, roupas novas, mas simplesmente com o olhar atento de sua mãe e de seu pai. Embora em meio a tanta carência de luxo, esse menino nascera para reinar.
Se sua mãe estivesse grávida hoje, com certeza ela não teria dificuldades de encontrar lugar para o nascimento. Sua mãe, no lugar de ter problemas por não encontrar lugar onde pousar, teria problemas para escolher em que lugar pousar. Já posso até imaginar igrejas anunciando: “venham ver o nascimento do filho de Deus e aproveite para levar pra casa um pedaço do tecido que será usado para cobrir o menino”. Todas as emissoras de rádios evangélicas fariam suas chamadas, todos os canais evangélicos dariam sua participação. Seria uma festa, se não fosse deprimente e vergonhoso. Contudo, Ele nasceu lá, naquela época em que ninguém quis fazer festa ou seque saber de seu nascimento. Nasceu no silêncio de uma madrugada, silêncio cortado apenas pelo som dos animais e de sua mãe que lhe dava a vida em meio a dores de parto.
O Segundo momento não é um momento de silêncio, mas é um momento de gritos desesperados por alguém que se vai. É o momento do julgamento, das chicotadas que dilaceravam carne e coração. É o momento do sangue que se esvai e de suores que ardem nas feridas. É o momento da dor de quem apanha e se fere, mas também de quem vê e se fere na alma.
Existe porem um momento que quero destacar: o momento do julgamento. Nesse momento, ao ser inquirido pelas autoridades religiosas sobre a sua natureza, aquele que outrora era menino e agora um homem responde de uma forma totalmente surpreendente. Ele guardou silêncio.
Não era um silêncio eterno de morte. Não era um silêncio de quem se acovarda ou de quem se dá por vencido, mas um silêncio de quem não deseja mais ouvir o que é efêmero. É um silêncio para ouvir o que realmente importa ouvir: A voz do Pai, mesmo que vivenciada na quietude total.
A força desse silêncio, produziria momentos mais tarde um grande brado; um grito que soa não como a última palavra de um derrotado, mas como as primeiras palavras de um vitorioso: “está consumado”. Depois dessas palavras o que se pode ouvir Dele é somente o Silêncio.
Meu convite a você, que de vez em quando passeia por esses textos é que você se dê a chance de ouvir esse momento de Deus em sua vida. Ouvir o silêncio. Ouvir a quietude. Ouvir a voz do Pai, que já consumou a sua parte e espera somente que você faça a sua. Faça como o filho, guarde silêncio, pois o pai é muito educado e não falará enquanto estivermos falando.
Silêncio...
Silêncio...
Ouça a Voz do Pai, mesmo que em Silêncio.
Feliz Natal? Você é quem vai decidir se souber ouvir o Silêncio.
19.11.05
Saindo e chegando.
“Quero lá la la ia lá lá ia lá lá ia lá lá ia, porque eu tô voltando” (Chico Buarque de Holanda)
Depois de um período de aproximadamente quinze anos estou voltando para a Igreja Batista. Saí de lá com minha esposa, hoje retorno com meu casal de filhos, bênçãos que o Eterno derramou sobre nossas vidas.
Foi um período de grandes realizações. Fizemos parte de duas igrejas pentecostais (Assembléia de Deus) e cremos que pela Graça de Jesus, fizemos parte e deixamos o nosso nome na história dessas comunidades.
Agradecemos a Deus por todos os amigos que fizemos nessas igrejas. Com certeza os levaremos conosco, como diz a música, “...guardados debaixo de sete chaves no lado esquerdo do peito”.
Alguns, a despeito de nossa vontade contrária, quiseram se colocar como inimigos. Aos que quiseram ser assim, também agradeço. Fizeram-nos crescer e praticar o verdadeiro cristianismo.
Foi uma fase de grandes aprendizados. Alguns positivos, outros, nem tanto. Mas todos valeram.
Queremos voltar na perspectiva de que, assim como o coração do rei descrito por Salomão é conduzido pelo Senhor, nosso coração também o é. Queremos viver uma vida que dê frutos para o Senhor. Fizemos isso nesses quinze anos e queremos continuar fazendo em nossa nova comunidade de irmãos.
Já recebi algumas críticas em função da minha decisão, e aí faço como o Chico: Quero é cantarolar uma canção, “porque eu tô voltando”.
Para a nossa nova comunidade de irmãos, a Igreja Batista de Abolição, pastoreada pelo Pr. Leopoldo de Souza Rodrigues, gostaria de dizer que precisamos de braços que se abram num grande abraço que diga, mesmo sem palavras, vocês são bem vindos.
Para a nossa antiga comunidade de irmãos deixamos um até logo, pois em breve nos reuniremos com Jesus nos céus e aí será uma grande festa sem fim.
12.11.05
Lojinha Gospel (ou Loja dos Horrores)
Berrante gospel – Mais conhecido como Shofar, mas, como eu dou valor ao que é brasileiro, prefiro de chamar pelo nome que nossos boiadeiros chamam. O berrante gospel é feito de chifres de carneiro e serve para invocar a presença do espírito santo (com letra minúscula mesmo). Vou confidenciar aqui um segredo. O meu será feito aqui no Brasil mesmo, mas para ter um status mais santo, vou alardear que esse é feito lá em Israel por uma família de levitas que ainda existe por lá. Pensei em mandar os levitas daqui fazerem isso, mas os levitas brasileiros só sabem cantar.
Óleo ungido do Monte das Oliveiras – Esse não é um óleo qualquer. Embora seja produzido com a soja que é plantada no Brasil, vou fazer todo mundo acreditar que é do monte das oliveiras. Mas espera um pouco.... Mas se vou dizer que é do Monte das Oliveiras não pode ser óleo. Já sei! O nome será Azeite ungido do Monte das Oliveiras. Com ele você poderá ungir sapatos, retratos, roupas íntimas, carteira de trabalho, muros dos bairros, etc...
Anel efatá – Não é assim que se escreve no hebraico, mas se eu escrever ephatah, como é transliterado do hebraico, talvez alguém pense que não sei escrever direito. Com esse anel todas as portas fechadas se abrirão. Com ele no seu dedo, você diz a palavrinha mágica: “abracadabra”, quer dizer, "efatá" e as portas serão abertas. Sempre bom ter um no dedo caso você perca as chaves da casa ou do carro. Eles serão feito de latão, porque é mais baratinho, mas direi que é de um latão retirado numa mina perto do monte Sinai, pois assim terá mais credibilidade. Com certeza esse anel abrirá muitas portas financeira, principalmente as minhas.
Cajado de Moisés - Bem menor que o cajado original, mas com poderes ainda maiores. A primeira remessa foi feita de metal, mas já vi que foi um erro. Metal dura muito, daí ninguém compra mais. A próxima será feita de cristal, pois além de mais caro, corre o risco de quebrar e aumentarão os meus lucros. Com esse cajado você vai poder abrir os mares que surgirem na sua frente. Mas tome cuidado! Os mares que esse cajado abre não são aqueles com água salgada. Se alguém morrer tentando atravessar a praia de Copacabana a culpa não será da minha lojinha. A pedido da minha esposa que nasceu no nordeste do Brasil, concentrarei minhas vendas por lá, pois sempre que faltar água, basta ferir alguma pedra com ele e ter muita fé. Se a água não brotar da rocha, a culpa é sua que não teve fé. Uma coisa é certa: esse cajado vai encher a minha piscina de água.
Bandeira Jeová Nissi – É uma bandeirinha pequena com uma frase de efeito no meio. Ainda está em fase de produção. Estou pensando em escrever a seguinte frase: “Eu decreto a minha vitória”. Toda vez que você estiver diante dum problema, é só você agitar a bandeirinha que sua vitória será garantida. Ela só não funciona contra o bicho papão.
Arca do Conserto – A original era escrita com C, mas a minha é com S por dois motivos. Primeiro a original já está ultrapassada mesmo, pois Jesus Cristo inaugurou uma nova época na história da revelação de Deus para o homem. Segundo, concerto está ligado a apresentação de música e sempre que essa arca for evocada, nos cultos ou em casa, deverá ser feita com muito louvor, de preferência, aqueles mantras gospel repetitivos. Com essa arca você vai poder trazer sempre a glória de Deus para perto, onde quer que você esteja. Mas de novo eu digo, se a glória de Deus não chegar, a culpa é sua que não teve fé.
Manual dos caçadores – Este livro ensinará a você como caçar deus. Depois de caçá-lo, você aprenderá como aprisioná-lo, mas isso será ensinado no segundo volume da série. Se eu mostrar tudo no primeiro, perde a graça (e o lucro também). Depois de prender deus você poderá fazer dele o que quiser. Pode decretar, exigir o que é seu por direito e outras coisas mais. Ah! Esqueci de falar. O nome deus está escrito assim em minúscula pois é só esse deus que você vai conseguir caçar depois de ler o meu livro. Estão dizendo por aí que quem caça Deus é por que ainda não foi alcançado pela graça, mas eu não me preocupo com isso.
Estou pensando em outros produtos para comercializar na minha lojinha. Por enquanto você pode fazer seus pedidos escrevendo para: Loja dos horrores – Rua da soberba Religiosa, 66, Bairro dos perdidos que não foram achados, Cidade dos Prazeres (os meus é claro).
... Fim do anúncio da lojinha ...
Voltando pra minha realidade, só posso pensar: Seria cômico, se não fosse trágico, mas essa é a realidade de algumas “igrejas”. Vende-se de tudo em nome de Deus, criando uma atmosfera mística onde o povo é levado a gastar o seu dinheiro com aquilo que não é pão e dentro do lugar que deveria ensinar o contrário disso. Há ainda uma infinidade de “produtos” que são comercializados por aí. Pior que esses, que se pode tocar, são aqueles que estão na esfera das idéias.
Tenho saudades de Jesus entrando no templo e derrubando as bancas dos mercadores. Nós, como igreja, somos os representantes de Jesus na terra. Derrubar a banca dos vendedores modernos é nosso dever.
30.10.05
Igreja – Organismo e (des) organização.
Vive-se uma fase de novas idéias, projetos, ministérios, sem, contudo trazer os mesmos para o centro da Palavra de Deus. Quando se usa o texto sagrado, tem-se o verdadeiro sentido de usar alguma coisa, manipulando o texto de forma a dominar o povo que deseja seguir uma religião de retorno para Deus e não de sacrifícios tolos. Preferindo viver sob revelações de seus profetas modernos e mesmo de anjos (como se fosse possível), a igreja atual segue revivendo a forma fétida de séculos atrás.
Não querendo fechar questão sobre o assunto, penso que um dos motivos para esse estado de coisas seja a falta de honra para o ensino nas igrejas. Vivemos no século 21 com um ensino ultrapassado de literaturas que já não apresentam conteúdo pratico, se não para quem as vende. Alem disso, o modelo de escola de ensino (no caso da igreja que participo – Escola Dominical) é o mesmo de 30 ou 40 anos atrás, isso porque estou sendo bem tolerante. É o velho esqueminha de orar, cantar um ou dois hinos, orar de novo, ler o texto base para a lição e dividir o povo em classes. Depois de 1 hora ou pouco mais que isso, as classes retornam para o templo para assistir ao encerramento da escola. Patético, tendo em vista que o aproveitamento de cada classe é suprimido e o tempo que se segue após o tal retorno das classes para o templo é, na sua gigantesca maioria, utilizado pra tudo, menos para o ensino, sempre com a justificativa de que a escola tem que ser encerrada no horário certo. O interessante é que é comum que todos as outras reuniões extrapolem em seu horário de termino. Abro aqui um parêntese: aos membros da mesma comunidade que eu, vai aqui um aviso. Não me digam que essas idéias devem ser passadas para a liderança da igreja. As mesmas já foram muito bem passadas e muito bem ignoradas ao longo de aproximadamente 14 anos. Fecha parênteses.
Ainda na esfera do ensino, já não se ouve mais falar daquilo que é realmente interessante. Soberania de Deus? Que nada. Você tem que decretar e ele vem correndo como um serventezinho te atender. Afinal de contas, você “foi chamado por cabeça e não por cauda”. Foi chamado para “reinar em vida”. Doença? Você não deve aceitar, afinal de contas você é salvo e ser salvo significar perder a condição humana passando para um estágio de super-homem que não fica doente de forma alguma, a menos que você esteja em muito pecado. Você é pobre? Dificuldades financeiras? Porque você quer, pois Deus quer que você seja próspero, e te dá liberdade de exigir isso quando você o compra mensalmente com seus dízimos. Dói ouvir tanta besteira. A graça é suficiente? Nada disso, nem tão pouco o sacrifício. Viva ainda sob o peso de leis que sequer são bíblicas mas extra-bíblicas.
Com base em alguns argumentos de pseudo-santidade coloca-se o mundo num maligno mais poderoso que a própria bíblia descreve. Esquecem que quem domina tudo mesmo é o Senhor, inclusive este mundo que jaz no maligno.
Já não se ensina viver uma vitória definitiva em cristo, mas a viver em constante processo de libertações como se fosse necessário ao salvo sessões extras de libertação em alguns encontros específicos para esse fim. Deve ser por este conceito podre de poder do diabo sobre tudo e todos que boa parte das igrejas pentecostais e neopentecostais precisem amarrar todo o mal antes do culto começar. Abram a porta! Jesus está cansando-se de tanto bater. Coloquem Jesus para dentro dos cultos e nada disso será necessário.
Não fosse suficiente toda essa gama de aberrações contra o verdadeiro conhecimento bíblico, há ainda os que pregam que, mesmo que você seja salvo, tem que buscar no seu passado as maldições que ainda pesam sobre você, fazendo de Cristo um impotente e fazendo da Escritura sagrada mentirosa quando ela afirma “se alguém está em Cristo, é nova Criatura, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”.
Manipulando os fiéis, a liderança da igreja usa textos para impor medo fazendo com que se tenha medo de expor o erro quando esse acontece na esfera dos pastores, bispos e outros mais. Não tocar no ungido do senhor não é a mesma coisa de não questionar o ungido, principalmente se essa unção é questionável pelas suas atitudes mercantilistas, gananciosas e interesseiras. Nesse caso, deve não só tocar, mas expor o erro para a igreja não continue sendo enganada e retirar o mesmo da posição que ocupa, a fim de não enganar mais ninguém. Manipulam ainda através do conceito de dízimos e ofertas, afirmando que se não o fiel não entregar o dízimo é ladrão. Esquecem-se que a bíblia afirma que devemos contribuir segundo propôs nosso coração. Em outras palavras é uma relação entre eu e Deus e não entre eu e o Pastor da igreja.
Finalizando, não posso deixar de falar da idolatria feita a pastores, cantores, pregadores, adoradores, levitas, “avivadores” e outros dessa mesma linha. Pastores que só pregam por dinheiro e muito dinheiro e sempre trazem textos que dizem que o trabalhador é digno de seu salário, já estão fazendo parte do câncer moderno da igreja. Esquecem-se de que o ministério pastoral sempre foi um dom de Deus e não um título ou profissão.
O que dizer então do império do louvor que já se estabeleceu em nossas igrejas. Se você não louvar como determinado ministério de louvor, seu louvor não tem unção. Como se a unção fosse dada por nós e não por Deus. Seminários que se arvoram de meios para se ensinar o louvor, como se fosse possível ensinar. O que Deus precisa é de adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Basta-nos este ensinamento e joguemos no lixo todo o resto.
É deprimente a onda de louvores-mantras com repetições intermináveis e em sua grande maioria falando do próprio eu, eliminando assim a centralização da pessoa de Deus. Vergonhoso é saber que você é discriminado por não levantar a mão, bater palmas ficar de pé, fechar os olhos, pular, dançar, falar qualquer coisa para o irmão do lado a mando do animador do culto. Isso é adoração espontânea? É isso que é ser adorador extravagante? É isso que é uma adoração com unção? A unção, repito, vem do Senhor e alcança o crente quando ele é salvo. Unção nunca vem por essas atitudes, no mínimo infantis.
Levitas? Que classe é essa? Ainda existe? Estamos na antiga aliança ainda? Os levitas da antiga aliança só cantavam e tocavam? Os de hoje (se é que existem) só sabem fazer isso. Talvez por que não estudem muito bem a palavra e veja o verdadeiro significado da função. Não há hoje uma classe superior chamada levitas, como se quer pensar. Não há levitas entre nós hoje.
A igreja organização deteriora-se a cada dia e fede na sua própria putrefação. Abracemos à igreja organismo, corpo vivo de Jesus Cristo, essa sim, imaculada e sem rugas e isenta de todas essas mazelas.
29.5.05
Cristianismo: uma vida de prática.
Refletindo nessas palavras do Cristo, comecei a me inquietar com aquilo que chamamos de cristianismo. Uma rápida pesquisa entre aqueles que simpatizam com Jesus Cristo e todos responderão que Cristão é aquele que segue os ensinamentos do Cristo. Penso que essa resposta é extremamente vaga, principalmente pelo fato de que as pessoas religiosas de nossa época tendem a encontrar ensinos de Jesus onde eles inexistem. Na realidade, vivemos em uma sociedade religiosa onde os nossos conceitos de certo e errado é superior aos conceitos expostos pelo filho de Deus. Além disso, estipulamos nossa linha de pensamento e ensino e fazemos uma classificação das pessoas em bom, mal, certo e errado de acordo com a forma em que elas recebem e cumprem o nosso ensinamento e não os do Cristo.Esquecemos com essa atitude que o prudente é aquele que ouve as palavras de Jesus, e não as minhas e as põe em prática.
O que penso que Jesus quis dizer quando falou de prática, é que não existe cristianismo conceitual. A única forma possível de se entender cristianismo autentico é quando colocamos em prática aquilo que é conceito. No contexto do que Jesus disse sobre praticar o que ele ensinava, encontramos uma advertência aos que vivem dizendo “Senhor, Senhor” achando que com um tratamento desse tipo estariam garantindo uma vaga no reino de Jesus. Hoje ainda é assim. Muitos pensam que por que falam o tempo todo da suposta intimidade que tem com o Mestre já estão garantidos no contexto da salvação de uma ira futura. É o velho puxa-saquismo espiritual que tenta através de palavras soltas ao vento mostrar pra Jesus: “olha, Jesus, como eu te trato com distinção! Você não me deixar fora dessa, não é?”. Ou então “Olha, Jesus quantas pessoas eu curei, libertei e quantas profecias eu fiz em teu nome. Meu espaçozinho no teu reino é certo, não é?”
Resta a esse tipo de pessoa a frustração de saber que o Cristo era um homem experimentado em dores e pouco se importa se o chamam de rei ou de servo. Resta-lhes ainda a tristeza em saber que o que garante uma vida no reino de Jesus não é um tratamento lisonjeio, mas cumprir a vontade do Pai que está nos céus. Também não é o que eu faço no âmbito dos grandes milagres que fazem a diferença. As vezes é mais difícil para esse tipo de cristão conceitual, se compadecer do próximo do que curar, libertar ou profetizar em nome de Jesus.
Cristianismo prático é aquele que é exercido entre pessoas e não em conceitos. Se conceitos formassem alguma coisa em alguém, não seria preciso que médicos, advogados, professores, e tantos outros profissionais passassem pela experiência de por em prática o que lhes foi ensinado. Um excelente cirurgião é excelente pela prática que possui e não pelos conceitos sobre o corpo humano que estão arquivados na sua memória.
O cristão é cristão em todo sentido que a palavra pode ter quando sai da esfera do conceito e se lança na prática do cristianismo que foi sintetizado por Jesus em “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”
Há então, uma decisão que precisa ser tomada por aqueles que querem realmente viver um cristianismo de práticas: ou eu ouço as palavras do mestre e as ponho em prática e sou considerado prudente, ou eu ouço e não as pratico e sou considerado insensato e um mero construtor de casas que só servem para desabar.
A escolha sempre será nossa assim como as conseqüências dela.
26.5.05
Vergonhosamente vivendo a mesma história
Só para orientação dos leitores deste blog, que não estão familiarizados com a história da igreja e a história da reforma protestante enumero a grosso modo o que se segue.
1. Jesus Cristo edificou uma só igreja. A pluralidade de igreja que se tem hoje é fruto da nossa incompetência de gerir o que o mestre havia deixado: a unidade do seu corpo.
2. Com o passar dos anos, aquela pequena igreja fundada por Jesus, cresceu e desviou-se do propósito principal do mestre. “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” já não eram pontos importantes na igreja que crescia. Basta dar uma olhada básica nos livros de história e verificar essa realidade.
3. A partir do imperador romano Constantino, o cristianismo passa ser a religião oficial do império.
4. Instigado pelo Papa Leão X, Johann Tetzel começa a vender perdão de pecados (indulgências) para pessoas que estavam vivas, podendo essas comprar para seus queridos que já haviam morrido. As indulgências eram um dos meios utilizados pela igreja para angariar fundos para construção da basílica de São Pedro, em Roma.
5. Em 1517, Matin Lutero, monge agostiniano, publica 95 teses que feriam frontalmente os conceitos de Tetzel, do Papa e expunha este à realidade de que era incompetente para perdoar os pecados dos homens. Dessas 95 teses, surgiu o que conhecemos hoje como igreja protestante, ou reforma protestante.
Assistindo a história contata no filme, fui levado a questionar não aquele momento, pois já é história, mas o momento atual da igreja. É claramente perceptível que muito pouco mudou, e arriscaria dizer que muita coisa piorou de lá pra cá. Assim como se dizia que ao tilintar de moedas nos cofres da igreja, uma alma era liberta do purgatório, hoje, os líderes evangélicos, em sua maioria, que negam o dogma do purgatório passam pela mesma vergonha de valorizar muito mais o que a pessoa tem no lugar de valorizar a pessoa em si. No lugar de um documento que livrava a alma do pagante de todos os pecados (ou de quase todos, dependendo do valor pago), hoje se exibe outros tipos de artifícios para coletar dos fiéis o número máximo de valor monetário. Estamos vivendo dias de um verdadeiro mercado onde a mercadoria principal chama-se graça.(com letra minúscula para diferenciar da Graça de Cristo)
Uma passada rápida pelas principais denominações, e cada qual ao seu modo, relaciona a quantidade de moedas tilintando nos cofres da igreja com a paz e a prosperidade que Deus pode dar a quem dá a Ele primeiro. É uma desvirtuação total do que diz a oração atribuída a São Francisco “pois é dando que se recebe”, esquecendo os mercadores das indulgências modernas de que a referida oração está tratando do relacionamento interpessoal e não de bens materiais. “Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.” Esquecem os modernos vendedores de indulgências que o mais importante e fundamental da Graça de Cristo é que ela é exatamente isso: de graça. Se faço parte de uma associação, é claro que vou contribuir com o desenvolvimento financeiro dela, mas daí a pensar que sou mais abençoado a medida que dou mais, existe um abismo gigantesco. Nessa perspectiva, pessoas são diariamente trituradas, torturadas, espancadas em suas consciências por não poderem dar mais e são constantemente taxadas de homens de fé débil.
É de uma incoerência total criticar a igreja antes da reforma e elogiar a igreja que surgiu com a reforma protestante se o que vivemos agora é a mais pura, se não pior, expressão da realidade daquela época instauradas nos nossos dias.
O que fazer então? Aguardar o próximo Lutero e esperar sua reforma?
Esse próximo Lutero não virá nunca. Está nas mãos daqueles que compreendem a Graça de Cristo como algo realmente oferecido sem custas ao homem, fazer esta mudança, sem querer ter a pretensão de uma nova reforma religiosa. De reforma religiosas já estamos fartos e com ânsia de vômito. Não precisamos que se reforme a religião, mas que se transforme os corações, libertando-os do jugo de homens enganadores, vendedores de toda espécie de bugigangas espirituais.
Precisamos nos libertar dos famosos “compre o meu livro e você terá sua vida transformada”, “compre meu cd e seu louvor será um cântico novo”, “compre minha apostila e você será um homem de Deus aprovado”.
Basta! Não compremos falsas idéias e joguemos o que não presta fora! Despojemo-nos de toda sorte de mesquinharia pseudo-evangélica pra viver o que o verdadeiro evangelho é: vida com Cristo e vida em Graça e de graça.
O ser humano não estás a venda. Já fomos comprados por um alto preço. Não precisamos mais pagar por nada, nem por nossos pecados. Todos eles foram pagos na morte do Filho.
Vivamos então o que é fundamental na vida com Cristo: sua Graça nos basta.